Cadê a Matiza?

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Não que alguém tenha feito exatamente essa pergunta, mas eu vejo que vários de vocês já estão percebendo que a “Matiza” está cada vez menos presente nas minhas redes sociais. Curiosamente até a pouco tempo nem eu sabia direito o por quê. Claro que tinha noção das minhas vontades, que foram mudando, e tudo que eu mostro para vocês é o que me interessa no momento. Mas eu queria saber por que a Matiza não pode voltar a ser frequente na página?

Este post é para abrir o coração mesmo, hahaha. Desabafar, será? Vou tentar não fazer textão (já tinha feito e reconsiderei, hehe).

Eu admiro muito quem já sabe o que quer e gosta do que faz, ou pelo menos sabe aonde quer chegar. Porque eu… mudo de ideia constantemente.

Apesar de desenhar desde criança, quando entrei na faculdade fui descobrindo que a minha relação com a ilustração é muito mais complexa do que eu pensava. Eu não AMO ilustrar. Eu não desenho todo dia. Durante a faculdade de design cada dia eu gostava menos de ilustrar. Fui parando. Na metade resolvi voltar e peguei trabalhos de animação e ilustração para livros didáticos. Não gostei. Também nunca me dei bem com design. Quando acabei o curso de Design Gráfico arranjei um emprego e gostava do que fazia. Criava a parte gráfica de produtos. Com o tempo fui percebendo que eu não gostava era do computador. A página da Matiza surgiu disso. Mas ela não nasceu como uma forma de trabalho, e sim como um hobby, uma terapia para voltar a desenhar. Um ano depois a página “bombou”. E o hobby foi se transformando em trabalho. E percebi novamente que tinha algo errado. Eu gosto de ilustrar, mas não qualquer coisa. Um pouco antes da página ser criada descobri o mundo da estamparia. Pensei, “talvez seja isso que eu goste de fazer”. Fui estudar e gostei. E agora estou experimentando aos poucos! Mas o que isso tem a ver com o sumiço da Matiza? Quanto mais eu postava sobre ela, mais trabalhos de ilustração de personagens e pedidos de retratos apareciam. Mas eu queria outra coisa, então comecei a postar tudo que fosse mais relacionado com o que realmente quero trabalhar. E é isso.

O que eu descobri recentemente? Que evito postar desenhos da Matiza para ela não virar trabalho. A Matiza é minha terapia, meu escape, sou eu desenhando sem briefing e alterações do cliente. Então decidi que não tem por que evitar. Ela vai voltar, eu vou me divertir fazendo, e vou esclarecer sempre que for necessário, que ela é meu hobby. Desenhar pessoas é um hobby. E além disso, uma causa social! A Matiza é para mim e para vocês. Resumindo, me chame para trabalhos quando o assunto for:

Espero ter conseguido me explicar e não ter causado uma impressão negativa. Mesmo eu afirmando que não irei mais desenhar pessoas por trabalho, podem rolar exceções, com certeza. Mas era isso que eu queria dizer pra vocês🙂

Bom final de domingo!

Té té

Minha 1ª exposição

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Como dizem por aí, “a primeira exposição a gente nunca esquece” :p

Recebi o convite quando ainda estava na metade da minha Pós na Espanha, da Rafaela do Garupa, que encontrou meu trabalho na internet. O Garupa é uma bicicletaria aqui em Florianópolis que tem uma pegada diferente. Além de toda a decoração do espaço parecer mais um café que um lugar para consertar bicicletas, eles tiveram a grande ideia de deixar disponível uma das paredes do espaço para exposições temporárias de artistas locais. E assim, escolhi uma data bem lá pra frente, para ter certeza que estaria no Brasil.

O dia marcado era 30 de Setembro, mas já no começo de Agosto, logo depois que voltei da Espanha, comecei a fritar os miolos para decidir qual seria o tema da exposição. Não queria simplesmente pendurar na parede minhas aquarelas de sempre, e pensei em produzir coisas novas, mas tava difícil decidir. Foi aí que decidi aproveitar que fiquei um ano inteiro estudando estampas e desenvolvendo vários projetos legais, que poderia usar isso como tema. Como pra mim os rascunhos dos artistas é o que mais me interessa, assim como os processos para chegar à obra final, resolvi mostrar essa parte do meu trabalho. Eu já tinha as aquarelas, as estampas e alguns produtos feitos, mas muito poucos. Foi então que na metade do mês conheci de perto o trabalho da Carol Grilo da FofysFactory e me encantei pela fofura e qualidade dos produtos! Eu estava com quase 30 estampas guardadas, morrendo de vontade de serem estampadas por aí, e propus uma parceria entre a gente. Além disso, teríamos o desafio de conseguir imprimir num tecido de qualidade e costurar alguns produtos a tempo para levar para a exposição. Não sei como, mas conseguimos🙂 (agradecimentos especiais ao grupo do facebook Estudos em Design de Superficie que me ajudaram a encontrar fornecedor❤ ).

Como chegaram as estampas impressas:

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Resolvido o tema dos produtos, agora faltava planejar como pendurar tudo na parede. Essa parte foi difícil, haha. Tentei montar no computador, tentei desenhar no papel, mas o que melhor funcionou foi botar a mão na massa. Arranjei uma parede grande da minha casa e tirei todos os quadros. Com fita crepe e outras gambiarras fui pendurando as coisas. A lógica era expor de uma forma que desse para entender a transição aquarela-estampa-produto. Ó uma foto do momento, hehe:

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Porém, os últimos retoques eu fiz colocando tudo no chão e assim foi mais fácil visualizar tudo junto. (Não encontrei essa foto😦 )

A única coisa que ainda faltava decidir era como expor as aquarelas originais. Eu não queria enquadrar, porque elas não eram pinturas finais, e sim processos para chegar às estampas. Mas colar diretamente na parede não parecia uma opção legal. Desta vez agradeço ao meu irmão por se tornar marceneiro e deixar madeiras por toda a casa. Encontrei uns pedaços por aí e consegui pensar numa solução!

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E assim ficou no dia:

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Apesar da exposição ser minha, nada teria ficado como ficou se não fosse pelo meu irmão que montou tudo, minha mãe que ajudou nas ideias e na montagem, do meu pai que fez várias engenhocas para pendurar as coisas, do meu amigo Walter por me ajudar nas ideias para expor e a Carol por topar fazer os produtos e deixar pendurar eles na parede, hehe.

Além dessa parte, também no dia da exposição tinha uma mesa com cadernos e postais para vender com as estampas expostas e uma amostra de outros itens de tecido da parceria Luiza Normey para FofysFatory.

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Eu e a Carol segurando o produto que cada uma fez :p

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No dia da abertura, 30 de Setembro de 2016, foram vários amigos, familiares e desconhecidos prestigiar a exposição🙂 Fiquei bem feliz! Este post é para aqueles que estão longe e não têm como ir. Aos que estão perto e ainda não foram, dá para aparecer no Garupa esta segunda, terça e quarta das 10h às 20h. Pois na quinta tudo será desmontado.

Ah! Também fiquei feliz que o coordenador da minha Pós, Ivan Soldo, me convidou para uma entrevista com a escola onde estudei, o IED. Então para quem fala espanhol, aqui vai o link🙂

http://master.iedmadrid.com/noticias/luiza-normey-master-diseno-textil-superficies/

 

E é isso!

Espero que tenham gostado do meu relato “Por trás da Exposição”, haha. E que venham as próximas😀😀

Té té!

 

Oficina de Aquarela

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Minha primeira oficina! Espero que seja o inicio de um novo trabalho na minha vida🙂 Sempre gostei de ensinar informalmente, mas estar numa sala com alunos me olhando e tendo um cronograma de aula, isso sempre me pareceu algo fora do meu alcance! Mania de pessoa perfeccionista, que acha que tem que ser a melhor do mundo no tema para poder dar aula. Se fosse assim, não existiriam professores, né? :p Por isso resolvi finalmente tomar coragem e ensinar algo que gosto muito e de um jeito diferente das oficinas clássicas de aquarela, e espero que vocês gostem🙂

Esta vez será na minha cidade, Florianópolis, no café Coffee Shop 18 no bairro Itacurubi. Com o tempo pretendo fazer em outros lugares e quem sabe outras cidades! Se está interessado, dá pra organizar e eu vou, viu?🙂 A oficina tem a duração de 5 horas e terá uma pausa para o coffee break fornecido pelo local. Acho que vocês deveriam aproveitar, hein! Estas são as informações:

Local: FLORIANÓPOLIS
Data: 22 de Outubro de 2016
Horário: 14h-19h
Preço: R$190 (Oficina + Coffee Break do Coffee Shop 18)

A oficina é voltada para aqueles que querem aprender as técnicas básicas de aquarela e incluí-las em seus projetos pessoais ou profissionais de maneira criativa!

REQUISITOS

Basta gostar de arte e ter vontade de aprender. Aqui não precisa saber ilustrar ou pintar🙂

PROGRAMAÇÃO

  • Apresentação de materiais
  • Prática de técnicas variadas
  • Criação de paletas de cores
  • Aquarela experimental
  • Como aplicar a aquarela em projetos pessoais

MATERIAIS

  • Estojo de aquarela (pastilha, bisnaga ou líquida. Marcas: Pentel, Sakura, KOH-I-NOOR, Winsor&Newton)
  • Papel para aquarela 300g (Bloco A4 Canson Linha Universitária ou Bloco A4 Canson XL Aquarelle)
  • Três pincéis: grande (nº 10 ao 24), médio (nº 4 ao 8) e pequeno (nº 0 ao 2). Marca mais em conta: KERAMIK (sintético).
  • Godê ou prato

MATERIAIS OPCIONAIS

  • Outras tintas (guache, acrílica, nanquim)
  • Lápis, borracha, caneta

*IMPORTANTE: Traga materiais que já use no seu trabalho/hobby para experimentar junto com a aquarela. (Exemplos: Linha e agulha de bordado, recortes, fotografias impressas, bico de pena e tinta para caligrafia, caneta brush para lettering, estêncil, carimbo, o que quiser!)

ENDEREÇO
Coffee & Shop 18
Rua Acelon Pacheco Da Costa, 64, Itacurubi – Florianópolis – SC.
(48) 3025-5211


Meu objetivo com esta oficina é ensinar a aquarela e inserir ela na vida de vocês de maneira leve e divertida. Conhecida como uma técnica difícil e por isso muitas vezes frustrante, quis preparar uma aula que usasse a aquarela mais como uma ferramenta de criatividade ao invés de uma técnica artística clássica.

E aí? Vamos aquarelar?🙂

Para se inscrever: http://www.luizanormey.com.br/pd-3adc25-oficina-aquarela-presencial.html?ct=&p=1&s=1

Qualquer dúvida, me mandem um email: contato@luizanormey.com.br

Projeto Estamparia – “Frutas España”

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Este post está na minha pasta de  rascunhos faz muito tempo, e resolvi finalmente finalizá-lo para mostrar pra vocês. Para os que não sabem, acabei de voltar da Espanha onde estive 10 meses estudando uma Pós em estamparia. Durante o curso fizemos milhares de projetos, e entre eles, três foram mais importantes. O primeiro deles é este que contarei como foi minha experiência criando a primeira coleção de estampas da minha vida, hehe. Como é difícil encontrar processos de estamparia por aí, vou seguir o mesmo esquema de passo a passo do blog, e contar como foi todo meu desenvolvimento criativo🙂

O briefing.

Consistia em criar uma coleção de estampas para roupas e produtos para a marca espanhola La Casita de Wendy. Uma das sócias é a Inés Aguilar, que também é diretora do Máster. Apesar do estilo da marca ter que ser levado em conta, foi dada uma certa liberdade também para que pudéssemos descobrir nosso próprio estilo. O exigido era que o conceito da coleção contasse uma história.

O conceito.

Eu queria fazer sobre um tema que estivesse relacionado com a minha vida na Espanha e ao mesmo tempo ser algo legal de ilustrar. Quando eu era criança morei em Sevilla e nessa época eu adorava comer as frutas do verão, como morango, cereja, romã e pêssego. Como não são típicas do nosso clima brasileiro, esses sabores ficaram na minha memória de criança como frutas relacionadas à minha vivência na Espanha. Resumindo, meu conceito ficou: Frutas da minha infância na Espanha. (Nada pessoal, hahaha)

Rascunhos – Parte 1.

Como era minha primeira vez fazendo estampas, comecei rascunhando todo tipo de estilo que vinha na cabeça, para depois receber o feedback da professora. Para ser bem sincera eu estava bem confusa e não sabia como compor as imagens, nem que elementos usar, etc etc. Estas foram as primeiras tentativas:

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Além dessas composições que fiz, também mostrei meu caderno de aquarela onde tinham meus estudos. E para minha surpresa, a professora preferiu meus rascunhos do caderno do que todas essas estampas. Estas são algumas páginas do caderno:

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E por fim, isso me deu uma luz e resolvi fazer tudo de novo. Adotando a estética do meu caderno de pinturas despretenciosas. AH, e não menos importante, este maravilhoso caderno é um dos que a Miolito me deu de presente❤ Ele me acompanhou durante todo o curso, e em breve mostrarei ele completo aqui no blog!

Rascunho – Parte 2.

A nova estética definida seria misturar manchas de aquarela com rabiscos em nanquim preto. Resolvi ir pintando sem muito planejamento para ver onde chegava. Com as páginas sendo preenchidas, as cores começaram a ficar mais repetitivas e surgiu uma paleta. Além das frutas citadas, outros elementos que escolhi foram as folhas, sementes e meninas❤

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Pinturas finais.

Depois de finalmente definir uma paleta de cor, os elementos, a estética, e os temas de cada estampa, comecei a pintar diretamente no papel, sem lápis nem borracha, e ir experimentando da mesma forma que fiz no caderno, para não perder a espontaneidade do traço. Decidi fazer estampas com vários elementos, traços pretos e fundo branco por enquanto.

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Outras ilustrações foram pintadas de maneira mais fechada, como um bosque.

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E também fiz uns elementos simples para estampas menos complexas, que ficam bem em produtos de decoração.

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Pattern.

Para construir os patterns não foi tão complexo como a primeira vez que fiz. O motivo principal disso é que minhas ilustrações já estavam quase prontas em termos de composição, a única coisa que faltava fazer era recortar, retocar e mudar algumas cores, tudo no Photoshop, e depois criar o rapport. Para quem não está familiarizado com essa palavra, rapport é a mínima parte de uma estampa, é a “peça” que permite a imagem se repetir infinitamente. Não vou explicar mais a fundo porque isso já seria tema para outro post, hehe. Então, continuando, estes primeiros patterns (estampas) quase não foram modificados para construir o rapport (ou seja, não houve trabalho de composição no Photoshop).

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Os próximos foram apenas recortados os elementos e dispostos em fileiras muito simples.

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E por último, peguei elementos das outras estampas, fiz uma mistura entre eles e criei mais 3 patterns. Só neste grupo que realmente foi feito um trabalho de composição no Photoshop.

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Outras técnicas.

Além de fazer as estampas, também deveríamos experimentar diferentes formas de estampação, entre elas: carimbos, serigrafia, bordado, etc. Alguns exemplos:

Impressão sublimática em tecido sintético + bordado:

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Carimbos:

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Estêncil:

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Estêncil + bordado:

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Bordado:

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Considerações finais.

(Título de capítulo de monografia, hehe)

Bom, o projeto durou quase três meses, tempo pra caramba. Eu devo ter feito umas 50 aquarelas no mínimo. No total foram entregues 15 estampas, duas delas posicionais (que não mostrei aqui). As partes mais trabalhosas para mim foram definir um conceito, uma estética, o tema de cada estampa, e depois por último, a parte de estampar em diferentes técnicas foi uma função infinita, haha. Eu gostei do resultado final, claro que mudaria várias coisas, principalmente na parte de coleção mesmo, acho que muitas estampas ficaram parecidas demais, etc etc, poréemm, para um primeiro projeto, fiquei bem orgulhosa.

Em outro momento mostro como foi outro dos projetos grandes!

Me contem o que acharam desse novo tema de Passo a Passo do blog, se estão interessados em mais posts sobre estamparia, e o que mais gostariam de ver por aqui.

SPOILER: Dia 30 de Setembro (se a data não mudar até la) farei uma exposição sobre meus processos de criação de estampas, mostrando minhas pinturas, patterns e produtos finais. Será no Garupa Bike, em Florianópolis. Quando chegar mais perto da data, lembro vocês de novo🙂 Mas já marquem na agenda!

É isso,
té té!

 

 

 

 

Voltei!

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Lembram do meu post em Setembro que eu ia morar na Espanha por um ano? Pois então, voltei! Passou rápido, né? No total foram 10 meses morando na cidade de Madri estudando uma pós em estamparia no IED que se chama Máster en Diseño Textil y Superficies.

Foi um ano muito intenso, aprendi muito, viajei, fiz amigos, e por isso agora que chegou ao fim posso afirmar que meu investimento foi mais que acertado. O único porém é que deixei a Matiza um pouco abandonada… sinto muito por isso! Mas eu sentia como se não pudesse perder nem um segundo de aproveitar o tempo que eu estava fora, e que na volta eu recuperaria o tempo “perdido”. Então aqui estou revivendo o blog para começar! Como tinham algumas pessoas interessadas no curso que fiz, vou contar um pouco da minha experiência.

O curso.

Ele é de um ano, na cidade de Madri no centro, é uma faculdade particular que existe na Itália, Espanha e Brasil. Estudar estamparia não é barato, e no exterior é mais complicado ainda. Eu escolhi este porque me pareceu o melhor preço-benefício. Queria colocar o nome de outros que pesquisei na época mas não consegui encontrar😦 Aqui no Brasil o mais conhecido é o do Senai-Cetiqt no Rio de Janeiro . O que mais me chamou a atenção do Máster do IED (Instituto Europeo di Design) é que ele é muito voltado ao artesanal e não é focado somente em moda, aborda outros campos do design de superfície. Eles acreditam que você deve aprender como são os processos de produção antes de criar designs que não atendam às limitações de cada material e técnica. Então tivemos que fazer carimbos manuais, tapete, bordado, aprender serigrafia, pintura para cerâmica, aplicação de decalque para cerâmica, etc. E tivemos aulas voltadas a tecido, cerâmica, papel de parede, produtos para presente e decoração.

Limitações do curso: para quem já estudou e/ou trabalha com estamparia pode ser um pouco básico demais, isso porque os alunos que são aceitos vêm de diversas áreas (design gráfico, produto, moda, arquitetura, fotografia, arte…) e nem todos tem conhecimento médio/avançado em ilustração e/ou computação gráfica (photoshop, illustrator) e inclusive design. Eu pessoalmente senti falta de aulas mais avançadas em composição, cor, finalização de arquivos, entre outras coisas. Acho também que para quem não sabe quase nada de design o curso acaba não sendo suficiente para se tornar um designer de superfície profissional. Porémmm, eu achei bem bom mesmo assim, gostaria que tivesse sido mais avançado, mas quase não existem cursos avançados na área artística por aí, então para mim que nunca tinha estudado design de estamparia, foi útil e divertido (foi a primeira vez que estudei algo que realmente gostava em toda minha vida, hahaha).

Custos.

O curso custa por volta de 11 mil euros, mais os gastos com materiais e impressões durante o ano (que é bastante). Eles dão bolsa, que paga metade do custo, até ano passado eles ofereciam duas bolsas. Mas, uma bolsa que cobre tudo (menos o custo de vida) é a da Fundación Carolina.

Morar em Madri.

Comparando com outras capitais do mundo, achei muito tranquila e o custo de vida não muito caro. É possível morar no centro sem vender um rim, e viver a vida como se estivesse gastando em São Paulo ou Rio (até menos), mas com tudo perto, seguro e bem comunicado. O metrô me salvava, e se você tem até 25 anos de idade, dá para conseguir descontos em muitas coisas e até entrar de graça em museus e etc. A cidade tem muitos parques e uma vida cultural intensa. De longe não é o lugar mais bonito da Espanha, mas tem seu charme, e muita, mas muita coisa pra fazer e ver. Pontos ruins é o clima, poluição e a comida (minha opinião). O inverno é muito frio e o verão muito quente, quase não existe meia estação. O ar é poluído como qualquer cidade grande (eu que não tava acostumada!). E a comida não é boa como no resto da Espanha… claro que dá para comer bem, mas sai caro. Eu como estudante que cozinhava em casa, no final do ano já estava sentindo falta dos sabores da América. Mas, a maior vantagem para mim de morar em Madri foi: a segurança. Eu caminhava a noite para voltar pra casa sempre e nunca temia pela minha vida, as ruas eram super seguras, ninguém falava contigo e os caras não te assediavam. E não era por ter mais policiamento, eu nunca via polícia na rua. Claro que em vários bairros isso era diferente, mas pelo menos onde eu morava o local era tranquilo e nunca me senti tão segura na minha vida.

Recomeço.

E agora que estou de volta planejo continuar meus projetos pessoais que tinha começado logo antes de viajar. O blog continuará sendo atualizado, pretendo também começar a fazer vídeos de tutoriais, quem sabe dar aulas online e presenciais (quem tiver sites desse tipo para me recomendar, agradeço!). Virão novidades cacheadas, e produtos novos para a loja virtual. Somente peço um pouco de paciência que sou apenas uma pessoa para fazer tudo isso e mais…hehehe, mas o plano é dar conta de tudo!

E é isso,
beijos e até a próxima🙂

 

Carimbos

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Oi oi oi! Finalmente estou de volta.

Depois de postar nas minhas redes sociais tanto tipos de carimbos diferentes que aprendi no curso que estou fazendo aqui em Madrid, resolvi fazer um copilado e mostrar mais detalhadamente aqui no blog como é cada um. Que bom que estão todos interessados no assunto! Eu sempre achei super legal, mas por preguiça e falta de material no Brasil, nunca tinha tentando antes. Aqui mostrarei para vocês todas as técnicas que experimentei, e que depois se tiverem interesse, podem buscar na internet mais informações e tutoriais.

Carimbo com borracha.

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Foi o que eu gostei mais de fazer! Fazia tempo que procurava esse tipo de borracha grande mas nunca encontrei em lojas físicas (online não cheguei a pesquisar tanto). E bom, só agora na Espanha tive a oportunidade de testar essa técnica. A que eu comprei aqui se chama “Print Block Milan”. Para cavar a borracha eu comprei um kit de goivas que vem com cinco pontas diferentes que tu encaixa no suporte de madeira. Para estampar usamos tinta para Serigrafia, mas dá para usar tinta de tecido. Se você for estampar só papel, dá para experimentar com outros tipos de tinta, e se for em vidro, madeira ou qualquer outra coisa, utilize a tinta que for mais apropriada para cada material. Neste caso eu estampei em tecido, aquele tipo que é utilizado para ecobags. Então, resumindo:

Materiais

  • Borracha
  • Kit de goivas
  • Tinta de serigrafia/tecido ou outra
  • Tecido de algodão , papel ou outros materiais
  • Lápis
  • Papel
  • Rolinho pequeno, pincel ou esponja

goivas

Processo

Neste caso eu recortei um papel no tamanho da borracha e fiz o desenho ali. Com um lápis bem mole (acima de 4B), fiz um desenho no papel. Esse desenho tem que ser feito pensando que algumas partes vão ser cavadas e outras não. A parte que não for cavada é onde a tinta vai aderir e será a imagem estampada, enquanto os buracos serão as formas que ficarão sem tinta. O lápis ser 4B ou 6B é importante para que o desenho possa ser transferido com mais facilidade à borracha. É interessante já pintar no desenho as partes que vão ser cavadas, para não haver confusão. Depois de finalizar, coloca o papel sobre a borracha e com uma régua (você pode usar o que tiver à mão que funcione para pressionar o papel) vai pressionando o papel para todo o desenho ser transferido para a borracha. Com a imagem na borracha, já pode começar a cavar com a goiva que for mais adequada para seu desenho (se forem áreas pequenas, uma goiva de ponta fina, se for uma área grande, um ponta grande, etc). Apenas cave as áreas que estiverem preenchidas com o lápis. Nesse processo tem que tomar muito cuidado para não cavar o lugar errado e estragar a figura. O que me fez gostar mais dessa técnica é que a borracha é super macia e fácil de cavar, é até relaxante. Depois de terminado é só passar a tinta com um rolinho, pincel ou esponja e estampar na superfície que você queira!

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Tem uma artista que faz um carimbos maravilhosos e sempre posta tutoriais. Ela inclusive lançou um livro que se chama “Make a Impression”que ensina todo o processo dela. Este é um dos vídeos que vocês podem conferir mais detalhadamente de como é o passo a passo da técnica:

Stamp Carving – Geninne D. Zlatkis

Carimbo com linóleo.

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Materiais

  • Linóleo
  • Kit de goivas
  • Tinta
  • Tecido/papel ou outro material
  • Lápis
  • Papel
  • Rolinho, pincel ou esponja
  • Ferro de passar roupa (se tiver)

Processo

É praticamente o mesmo da borracha. Faz todo o processo igual, a única diferença é que o linóleo é mais duro e fica muito mais difícil na hora de cavar. Para amolecer o linóleo tem o truque de passar o ferro de passar roupa de forma leve e rápida, sem parar em nenhum ponto nem ficar passando por muito tempo, porque pode queimar ou derreter o linóleo. Fazendo isso rapidamente, você percebe que o material dá uma amolecida e fica muito mais fácil de cavar. Quando começar a ficar duro de novo, é só passar o ferro.

Carimbo com acrílico e E.V.A.

metacrilato

Materiais

  • Placa de E.V.A adesiva
  • Placa de acrílico
  • Tesoura
  • Tinta
  • Rolinho, pincel ou esponja
  • Papel
  • Lápis
  • Tecido ou outro material

Processo

A placa de acrílico vai depender do tamanho que você quer fazer o carimbo. Na loja você pode pedir para cortar do tamanho que quiser, eu pedi um A5, mas no fim usei só a metade, ou seja, um A6. A placa de E.V.A é a adesiva porque fica mais fácil e rápida a execução, mas você pode comprar uma normal e depois colar com cola branca. O processo do desenho é quase o mesmo, a diferença é que ao terminar, você tem que transferir para outro papel ou coloca numa mesa de luz (ou na janela com claridade) para poder copiar o desenho para o outro lado da folha. A lógica é que seu desenho tem que estar espelhado para ser transferido para o E.V.A. Com essa etapa finalizada, você coloca o primeiro desenho feito (aquele que não está espelhado) embaixo da placa de acrílico, podendo enxergar perfeitamente o desenho. Então você pega o EVA desenhado e vai recortando os pedaços e colando no acrílico nos lugares exatos que aparecem no desenho que está em baixo. Após isso é só passar a tinta no carimbo e aplicar na superfície escolhida (tecido, papel, etc).

Carimbo com rolo e EVA.

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É a mesma lógica que o anterior, só que desta vez a superfície do carimbo é um rolo de cozinha. O interessante é que o rolo seja daquele tipo que as partes do rolo sejam separadas, para que quando você gire, a suas mãos não girem junto. Isso facilita na hora de estampar. Eu fiz com um rolo que era uma coisa só e deu certo, apenas tive maior dificuldade no processo. Também é interessante a dica de colar um papel por cima do rolo para que o adesivo de EVA não fique no rolo para sempre e acabe estragando na hora de tentar descolar.

Materiais

  • Placa de EVA
  • Rolo de cozinha
  • Tesoura
  • Papel
  • Lápis
  • Tinta
  • Superficie para estampar (tecido, papel, etc)
  • Rolinho, pincel ou esponja

Processo

Neste caso eu achei muito trabalhoso transferir um desenho exatamente como ele está no papel para o rolo, então resolvi fazer algo mais espontâneo e fui diretamente desenhando formas na placa de EVA e depois recortei todas e fui colando aleatoriamente no rolo (tecnicamente no papel que está colado no rolo). Depois é só passar tinta e rolar no tecido. Se o seu rolo não tem as partes divididas, na hora de rolar você acaba usando as mãos, braços e até cotovelo para poder chegar mais longe com o carimbo, haha. Por isso se conseguir encontrar um rolo que os pegadores não acompanhem a parte central, melhor. A tinta pode ir acabando no meio do processo, e a estampa vai acabar ficando com um degradê. Para evitar isso o truque é: com cuidado, ir parando o rolamento e ir acrescentando mais tinta no rolo enquanto estampa. PS: na foto dá para ver que eu não colei papel no meu rolo (esqueci!). Isso quer dizer que provavelmente vai ser difícil usa-lo novamente.

Estêncil.

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O estêncil não é um carimbo mas meio que segue a mesma lógica, então vou explicar aqui também.

Materiais

  • Folha de acetato
  • Estilete
  • Caneta que funcione no acetato (eu usei aquela permanentes de cd)
  • Papel e lápis
  • Tinta
  • Esponja

Processo

Num papel você faz seu desenho, sempre lembrando que partes vão ser vazadas. Depois coloca o acetato em cima do papel e com a caneta você copia o desenho pro acetato. Depois recorta as partes que devem ser vazadas do desenho com o estilete e quando finalizado é só colocar o estêncil sobre o tecido e preencher os buracos com tinta, usando uma esponja velha.

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*As estampas rosas com amarelo texturizadas eu fiz usando o estêncil e aplicando os carimbos anteriores por cima.

———–

E é isso!

Gostaram?

Tentem em casa e depois me contem se deu certo🙂

Té té!

 

Cadernos, cadernos, cadernos! – Miolito em Madrid

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Faz um mês que cheguei na Espanha, e já tava na hora de atualizar isto aqui! Admito que aproveitei para descansar um pouco e tomar um tempo para mim… depois de trabalhar tanto nos últimos tempos, senti a necessidade de chegar em Madrid e relaxar. Agora com as baterias recarregadas e o curso finalmente começando, muita produção está por vir!😀

Mas ainda não falarei sobre meu curso, porque este post já está na fila de espera a muito tempo (culpa do meu perfeccionismo!). Como mostrei no meu instagram e facebook a um mês atrás, recebi pelo correio um presente maravilhoso, uma caixa cheia de cadernos artesanais da Miolito❤ Eu, uma pessoa viciada em cadernos, óbvio que surtei. Já faz tempo que namoro os produtos da Cajila e do Felipe (que são os responsáveis pela marca), mas como estou tentando controlar meu consumo por cadernos, resolvi esperar acabar os que eu já tinha, antes de adquirir novos. Mas olha o destino, no fim aqui estou eu cheia de cadernos de novo! Haha. Mas desta vez o momento é totalmente favorável, já que estou num curso de estamparia que valoriza muito o desenho manual, e com certeza os cadernos vão acabar rapidinho.

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Então agora vamos a parte baba-ovo❤. Eu não apenas recebi cadernos, mas chegou pelo correio uma caixa que dentro havia um lindo pacote, com meu nome escrito num coração, e vários cadernos diferentes, coloridos, todos lindamente embalados, com descrições técnicas, tudo feito à mão. Eu achei tudo tão impecável que demorei SEMANAS para abrir os cadernos. Poderia colocar num quadro. Sem contar que veio junto uma cartinha escrita pela Cajila dedicada especialmente a mim, que me fez ter a sensação que nos conhecemos. Adorei todo o cuidado com tudo, além das embalagens que já mencionei, os cadernos em si são muito bem costurados. Qualidade nota dez😀

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Mas porque eu demorei tanto para abrir? Como sempre minha cabeça inventa coisas e no fim vou mudando de ideia e algo que era para ser simples, como testar os cadernos e contar sobre isso no blog, acabou virando uma crise de “que tema vou usar para desenhar nos miolitos??”. Sim, eu quis fazer um tema, e algo que tivesse a ver com Madrid, já que vim morar aqui. Depois de descartar mil ideias, gostei do plano de pintar/desenhar lugares que descobri nesta cidade maravilhosa. Então não será apenas um post falando sobre cadernos, mas também dando dicas legais de onde ir em Madrid🙂 (Também mais pra frente farei um post exclusivo sobre isso, turismo “ilustrativo”, ou algo assim, hehe).

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Começarei pelo primeiro lugar legal que descobri por acaso. O Parque del Oeste. Escolhi o caderno Sketchbook Aquarela Kiwi porque senti que tinha que ser uma aquarela de paisagem. A folha é de 300g, papel canson, exatamente o bloco que estou usando atualmente, que recomendei no post sobre meus materiais. Gosto bastante, e não tive problema nenhum em fazer uma pintura bem aguada. O legal é que mesmo se o papel enrugar um pouco, o elástico que fecha o caderno é ótimo para juntar as páginas e deixar elas retinhas novamente. E sobre o parque, ele é GI-GAN-TES-CO, e tem lugares ótimos para picnic e jogar uma canga pra dormir a siesta.

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O segundo lugar que descobri foi o Museo ABC. Esse foi um achado bem inusitado, porque estava eu perdida em ruazinhas por aí, e em uma delas, super pequena, havia um museu todo moderno por fora, e resolvi dar uma checada. Para minha surpresa o Museu é especializado em ILUSTRAÇÃO. Vocês devem imaginar minha cara de felicidade quando entrei, e ainda por cima dentro tem uma loja só com LIVROS ILUSTRADOS. É um sonho. Melhor lugar! E quase tive um infarto quando saindo de lá descobri que aquela ruazinha estava super perto da minha casa! Já sou cliente VIP. Vou quase toda semana, hahah. E apesar de ser um lugar super legal, é bem desconhecido, e a maioria das pessoas nem sabe da existência. Detalhe: é grátis. Quem vier pra cá, não deixa de dar uma passada!🙂 Bom, o caderno que resolvi usar foi o Sketchbook Kraft Amarelo que tem folhas mais finas, na gramatura 90. Muito bom para técnicas mais secas ou até semi-úmidas, como canetinha. O papel aguentou super bem.

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O terceiro lugar que descobri por acaso e também quase escorreu uma lágrima (como tô sentimental, haha), foi a Rosaleda de Madrid. Lá estava eu adentrando outras partes do Parque del Oeste e do nada chego num lugar meio escondido que dá num jardim de rosas. É lindo de morrer. Tem rosas de todos os tipos e sempre rolam competições. Com certeza irei lá várias vezes para buscar referências floridas🙂 O caderno que escolhi foi o meu favorito, o Sketchbook Linho Montval. Ele tem um acabamento diferenciado, com capa de linho e fecho. O papel é canson montval, e foi a primeira vez que usei. Gostei muito! Diferente do outro, este não tem uma textura com linhas, então a pintura fica diferente e mais suave.

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O quarto lugar que escolhi foi o meu curso. Que foi uma descoberta também, muito por acaso! Agora que começaram as aulas percebi que foi algo maravilhoso que apareceu na minha vida. E a minha aula preferida, que foi com a professora Mónica Muñoz, me fez perceber que posso experimentar no mundo da padronagem e fazer coisas super espontâneas para criar minhas estampas. Então escolhi pintar algo assim, que veio das inspirações das aulas, e da minha vontade de experimentar. Admito que quando escolhi o caderno Sketchbook Grafite Mini não pensava em usar aquarela, porque a gramatura não é tão alta. Porém, me empolguei, aguei tudo, além de desenhar com canetinha, e apesar do papel ter ficado enrugado, o resultado da pintura foi bem satisfatório, então continuarei fazendo experiências e é isso aí! Hahah.

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Também ganhei um Kit de Journals Solar. Eles são ótimos para rascunhos, desenhar e escrever ideias, mas apenas com técnicas secas. Não desenhei neles porque resolvi dar de presente para uma grande amiga que veio me visitar🙂 Se ela deixar, depois publico os maravilhosos letterings que ela faz, hehe.

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E por fim, o mini-caderninho, que na verdade é um chaveiro porta post-it. Super legal! Não sei ainda onde pendurar, porque morro de medo de perder por aí. Mas achei super fofo, e é uma ótima ideia de presente🙂

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E ufa, caderno pra caramba! Nem acreditei que ganhei tanta coisa. Vou encher todos eles de desenhos nas próximas semanas e já divulgarei nas minhas redes sociais. Para quem ainda não conhecia a Miolito, vale muito a pena olhar o site e babar em tudo que eles produzem: http://www.miolito.com.br/

Espero que tenham gostado!

Té té🙂