Passo a passo – “Girassol”

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Desta vez vou furar a fila do passo a passo com a minha mais nova ilustração! Muitos pediram, então aqui vai meu processo de criação da arte “Girassol” 🙂

Parte 1 – O desenho.

Foi algo bem simples, não queria usar muito lápis então só desenhei a cabeça da menina e uma parte do corpo.

Materiais utilizados:

  • Lapiseira 0.3 da Pentel com grafite B da Pilot
  • Borracha da Coca-Cola
  • Folha do bloco da Canson Aquarela 300g/m², tamanho A4

Parte 2 – A pintura.

Materiais utilizados:

  • Pincéis pelo de marta
  • Pincel com reservatório da Pilot Japan
  • Aquarela de pastilha da Winsor & Newton Cotman Water Colour
  • Aquarela de bisnaga da Winsor & Newton Cotman Water Colour
  • Lápis de cor aquarelável da Faber-Castell de 36 cores
  • Caneta de gel branca da Uni-ball Signo

Como eu queria uma pintura mais orgânica, resolvi não esboçar a lápis a parte dos girassóis, então diretamente com o pincel fui fazendo manchas marrons, depois pétalas amarelas e acrescentando cabos e folhas verdes em cada flor que se formava. Minha tática foi pegar várias imagens de girassóis no google e ir usando como referência na hora da pintura.

O rosto da menina eu comecei testando uma técnica de sombra que vi outros artistas fazendo, que é sombrear antes do rosto ser totalmente pintado. Fiz algo bem aguado em azul, com medo de ficar muito forte. (Mais pra frente perco o medo, hehe)

Algo que dá para reparar é que usei cores muito fraquinhas, bem aguadas, isso porque eu não tinha certeza das tonalidades finais que eu gostaria de alcançar. Sempre uso essa técnica quando estou em dúvida sobre as cores, hehe.

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Continuei pintando girassóis, inclusive com tons diferentes de verde por pura preguiça de ficar misturando mais tinta para chegar no tom certo (não façam isso em casa, crianças. haha). E fiz um degradê no cabelo, começando pela parte de fora com um amarelo claro, e enquanto a tinta ainda estava molhada fui acrescentando tons de amarelo mais escuros, até chegar no ocre. O rosto eu reforcei a sombra com marrom bem escuro, já que a pele dela ia ser negra, então a sombra teria que ser bem forte para dar bom contraste. Para não ficar uma sombra marcada, eu gosto de usar o pincel com reservatório que ele permite “esfumaçar” a tinta de um jeito surreal. Muito bom, recomendo!

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Depois da sombra seca, preenchi todo o rosto de marrom menos a boca. Enquanto a tinta ainda estava um pouco úmida, acrescentei um leve rosadinho nas bochechas. Quando o rosto secou, pintei a boca com esse mesmo tom (uma mistura aguada de marrom com magenta). Depois de tudo seco pintei com um pincel bem fininho um contorno no rosto com marrom mais escuro. E com um marrom quase preto fiz os cílios e a sobrancelha.

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Com a menina praticamente pronta, fui ajeitar o matagal multicolorido, hehe. Como tudo estava pintado com cores bem fraquinhas, escolhi os tons definitivos e fui pintando por cima. Mais amarelo nas pétalas, mais marrom nos miolos da flor e o meio mais escuro, e também escolhi um verde forte que conseguiu ficar por cima de todos aqueles tons aleatórios iniciais que eu tinha feito na folhagem.

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Tendo a base toda pronta, comecei a fazer os detalhes. Com lápis de cor marrom fui pontilhando os miolos dos girassóis e com um lápis ocre fiz umas sombrinhas nas pétalas. Para desenhar os nervos das folhas usei a caneca gel branca.

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Eu gosto de usar o lápis de cor aquarelável para consertar algumas coisas na pintura. Neste caso pintei com lápis marrom algumas partes da pele para realçar a sombra, e com lápis ocre arrumei algumas falhas do cabelo.

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E no fim fiz uma alteração depois de ter postado o desenho nas minhas redes sociais (ops!), que foi cobrir todas as áreas brancas da folhagem com lápis de cor verde musgo + verde escuro. Isso porque eu estava sentindo que a menina parecia estar com o corpo cortado :s Hehehe, fiquei agoniada e tive que mexer nisso.

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E pronto!

Se tiver alguma outra ilustração na minha página que vocês queiram saber como foi o processo de criação, me avisem! 🙂

Té max!

 

Não penteie!

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Para quem acompanha meu facebook deve ter percebido que costumo postar semanalmente tirinhas relacionadas a cabelo cacheado. Admito que foi uma grande surpresa o tamanho da repercussão que essas ilustrações tiveram, fiquei realmente emocionada com tanta gente se identificando com meus dilemas cabelísticos. Percebi então que não só eu poderia fazer piadas sobre o assunto, como também falar de temas mais sérios e que conscientizassem as pessoas sobre algo tão natural mas ao mesmo tempo tão misterioso que é o cabelo cacheado.

“Ah, mas é só um cabelo.” Não, não é só um cabelo. Em um mundo que ainda está engatinhando em aceitar as diferenças, nascer com o cabelo enrolado não traz facilidades na infância nem na vida adulta. Não funciona como o cabelo liso, que você acorda, penteia e ele já fica razoavelmente arrumado para sair na rua (aqui estamos falando dos padrões estéticos da nossa sociedade). Então imagina um cabelo que você acorda e ele não é liso, não tem forma e nem sequer tem cachos, porque foram amassados durante o sono. É difícil de lidar, principalmente quando nem seus pais sabem o que fazer. E assim começa uma típica história de uma pessoa cacheada.

Infância, você nasceu com aquele cabelo diferente, sua mãe não sabe o que fazer. É então que são feitas aquelas péssimas escolhas: prender o cabelo, que traz dor de cabeça e quebra os fios;  petear o cabelo no seco, que é uma tortura horrível que só faz a criança sofrer e ganhar um cabelo pseudo-liso com um volume absurdo; e a pior decisão de todas: alisar quimicamente.

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Depois dessa primeira infância em que sofreu na mão da sua mãe/pai/responsável desinformado, chega a pré-adolescência e você continua no mesmo dilema de não saber como lidar com seus cachos. Usa os cremes errados, vai em cabeleireiras que não sabem o que estão fazendo, tenta alisar, prende o cabelo o tempo todo, nada funciona. E como vai funcionar? Se não existe ninguém para ensinar, apoiar e te fazer aceitar o teu cabelo como ele realmente é.

Chegando na adolescência você decide alisar. Não aguenta mais invejar as amigas de cabelo liso que só acordam, penteiam o cabelo e já estão com ele pronto. Não aguenta mais ser diferente de tudo que vê na televisão, revistas e qualquer outra mídia visual. Mas o alisamento não dá a solução esperada. Continua dando trabalho e não fica natural. Eu pessoalmente nunca alisei, mas aos meus 15 anos fiz relaxamento porque não sabia mais o que fazer com meu cabelo.

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E então você chega na vida adulta, e é normalmente nessa fase em que surge a coragem de tentar de novo. Nem todos passam por isso, mas eu por sorte fui uma dessas pessoas que resolveram tentar, mesmo demorando tantos anos para chegar onde eu queria. Achei os produtos certos, encontrei cabeleireiras que me entendiam, aprendi tutoriais na internet, e hoje gosto do meu cabelo mais do que de qualquer outra pessoa, e não trocaria por nada. Continua dando trabalho, mas vale a pena, totalmente. 🙂

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Onde eu quero chegar com tudo isso?

Parem de achar que é um assunto tolo. É assunto sério. E resolvi que no que eu puder ajudar com as minhas ilustrações que as pessoas aprendam mais e se aceitem como elas são, minha missão estará cumprida!

Então decidi começar do começo. Da infância. Educando os pais e responsáveis por crianças de cabelo cacheado. Há algumas semanas postei esta ilustração como aviso:

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Vi que as pessoas compartilharam bastante em seus perfis pessoais, mas eu queria que chegasse mais longe. Foi então que resolvi recriar esse desenho apenas com caneta preta numa folha branca e escanear em alta resolução para quem quiser imprimir e colar por aí. Colem nas ruas, nas escolas, ajudem a melhorar a infância de várias crianças 🙂 É um aviso que não dá nenhuma “solução”, mas pelo menos faz pensar. Com o tempo irei postando dicas ilustradas, que vocês poderão conferir na minha página.

Clique na imagem abaixo e depois com o botão direito do mouse clique em Salvar imagem como…

E para quem quiser, também estou disponibilizando a versão colorida:

E é isso. Usem à vontade! Só não apaguem os créditos, tá? Vamos ser pessoas honestas.

Hoje foi um post diferente, meio desabafo, mas eu sentia que deveria ser feito 🙂

Uma boa semana pra vocês!

Té té.

Matiza – Livro infantil

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Eu com cara de 22 anos.

Hoje vou contar para vocês sobre o nascimento da Matiza. Foi planejado e de parto normal, mas deu um trabalhão, hahaha. Como não gosto muito de texto corrido, vou separar a história por capítulos.

A ideia.

Eu estava cursando Design Gráfico na UFSC e já estava na 6ª fase, desesperada com as dúvidas da vida profissional e sem ideia nenhuma para o TCC (trabalho de conclusão de curso). Foi graças às disciplinas de desenho do professor Clóvis que descobri minha paixão por livros infantis, e a ideia de seguir em frente com esse tema, me deixou mais animada em finalizar o curso. Porém, outra crise que eu estava passando era a típica crise artística, já tinha experimentado na infância várias técnicas de pintura, e na faculdade aprendi a desenhar no Photoshop e Illustrator, mas nenhuma dessas técnicas me agradava por completo. Foi então que conversando com o professor MC Coelho, que consegui empolga-lo a ministrar uma aula optativa de aquarela, e foi ali que descobri minha outra paixão. Decidi então que meu TCC seria um livro infantil feito em aquarela. E o tema? Lembrei do meu tempo de caloura, bem na 1ª fase onde tive uma disciplina sobre Teoria da Cor com a professora Berenice, e um assunto que me interessou bastante foi sobre Psicologia das Cores. E assim nasceu a ideia do livro, um livro infantil em aquarela sobre psicologia das cores!

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Primeira aquarelinha da Matiza (e a sala da casa da Madonna, haha)

A personagem.

Sem saber nada de roteiro e escrita fui inventando as personagens e como seria a história. Como presente para minha criança interior, decidi que a personagem principal seria igual que eu, haha. Tem uma justificativa séria nisso ai! Quando pequena, sempre que eu via desenhos animados, lia quadrinhos, nunca encontrava uma personagem com quem eu pudesse me identificar fisicamente. Não existiam meninas morenas de cabelo cacheado, no máximo algumas personagens negras, mas nenhuma como eu. Isso me frustrou durante a infância, então quando tive a oportunidade de criar meu próprio livro, não hesitei em tomar essa decisão.

A história.

O livro é sobre uma menina (Matiza) que se sente diferente de todo mundo e não consegue se encaixar em nenhum grupo. Usei as cores como uma metáfora dessa situação. Na escola perguntam qual é a cor favorita de cada aluno, e Matiza é a única que não consegue escolher. A história segue para uma situação de fantasia em que as próprias cores (o amarelo, o azul, etc) são pessoas e convidam a menina a conhecer seus Mundos, onde lá tudo funciona de acordo com a linguagem física/psicológica de cada cor.

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Construção do Mundo Azul

O nome.

Tem um livro muito bom que usei de referência no TCC que é A Psicologia das Cores da Eva Heller, nele tem uma tabela de nomes que significam cores em algumas culturas. Dessa lista fui escolhendo os nomes de cada personagem-cor e o nome da menina principal tinha que ser algo que significasse todas as cores. Foi então que escolhi a palavra Matiz, que é cor, acrescentei um “a” e virou Matiza :D. No fim gostei tanto desse nome que virou o título do livro.

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Estudos das vestimentas das personagens.

O dia do nascimento.

O livro da Matiza nasceu (ou foi batizado, haha) no dia 4 de Julho de 2012, no dia da minha apresentação do TCC. Levei só um livro impresso, porque ele saiu caro pra caramba. Quem se interessar pela parte teórica, aqui está o link da monografia em PDF:  Luiza Normey_tcc A5 final.

Filha sem pai.

Matiza é minha filha, mas ela nunca chegou a ter um pai (editora) para patrocinar sua multiplicação pelo Brasil afora. Para os que sempre perguntam sobre isso, aqui vou explicar. Ao terminar o livro falei com várias editoras, grandes e pequenas, as que me responderam, a clássica frase era: “seu livro é muito bom, mas não condiz com a nossa linha editorial”. Eu entendo, é muito arriscado apostar numa desconhecida, que tem um livro sobre psicologia das cores (neeerd), e na época mal tinha experiência profissional (tirando os estágios). E também teve uma editora pequena que aceitava produzir o livro se eu mudasse algumas (várias) coisas. Eram modificações sem sentido, então resolvi ficar com o livro só para mim. Também recusei colocar no Catarse porque na época não vi potencial para dar certo. Um ano depois, no dia 12 de Outubro de 2013 resolvi colocar o livro completo na internet aqui.

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Final feliz.

O livro da Matiza não foi publicado, mas em 2014 ela ressuscitou numa página de facebook e desde então novos projetos estão aparecendo e estou muito feliz com o amadurecimento da minha filhinha 🙂 Hahah (já deve ter gente achando que eu realmente tenho um filho).

Bônus.

Vocês podem ver o livro completo no link que disponibilizei mais lá em cima, mas uma coisa que não foi possível transferir para a web foram as páginas especiais! Siiiimmm eu ostentei no TCC e inventei de fazer páginas triplas no livro, para simbolizar portas abrindo e revelando os Mundos que estavam atrás delas. Isso deixou o livro mais caro ainda, mas ficou bem legal, não me arrependo, hahaha. Aqui uma foto das páginas do Mundo Violeta:

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Isso se repete em todos os 6 Mundos.

E é isso minha gente, tenho muito orgulho do meu primeiro grande projeto, claro que agora eu mudaria vááárias coisas, mas não vale a pena. Inclusive já aviso que não posso sair imprimindo meu livro por aí para cada pessoa que pede, por motivo de falta de tempo, ter que diagramar o livro todo de novo, etc etc. Mas se alguma editora se oferecer para fazer isso, tamos aê! Alias, descobri com esse livro que sou viciada em desenhar coisas em miniatura. Quem sabe eu começo as fazer uns “Onde está Matiza?” hahaha.

Deixo com vocês uns close dos Mundos 🙂

Té té!

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