Cadê a Matiza?

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Não que alguém tenha feito exatamente essa pergunta, mas eu vejo que vários de vocês já estão percebendo que a “Matiza” está cada vez menos presente nas minhas redes sociais. Curiosamente até a pouco tempo nem eu sabia direito o por quê. Claro que tinha noção das minhas vontades, que foram mudando, e tudo que eu mostro para vocês é o que me interessa no momento. Mas eu queria saber por que a Matiza não pode voltar a ser frequente na página?

Este post é para abrir o coração mesmo, hahaha. Desabafar, será? Vou tentar não fazer textão (já tinha feito e reconsiderei, hehe).

Eu admiro muito quem já sabe o que quer e gosta do que faz, ou pelo menos sabe aonde quer chegar. Porque eu… mudo de ideia constantemente.

Apesar de desenhar desde criança, quando entrei na faculdade fui descobrindo que a minha relação com a ilustração é muito mais complexa do que eu pensava. Eu não AMO ilustrar. Eu não desenho todo dia. Durante a faculdade de design cada dia eu gostava menos de ilustrar. Fui parando. Na metade resolvi voltar e peguei trabalhos de animação e ilustração para livros didáticos. Não gostei. Também nunca me dei bem com design. Quando acabei o curso de Design Gráfico arranjei um emprego e gostava do que fazia. Criava a parte gráfica de produtos. Com o tempo fui percebendo que eu não gostava era do computador. A página da Matiza surgiu disso. Mas ela não nasceu como uma forma de trabalho, e sim como um hobby, uma terapia para voltar a desenhar. Um ano depois a página “bombou”. E o hobby foi se transformando em trabalho. E percebi novamente que tinha algo errado. Eu gosto de ilustrar, mas não qualquer coisa. Um pouco antes da página ser criada descobri o mundo da estamparia. Pensei, “talvez seja isso que eu goste de fazer”. Fui estudar e gostei. E agora estou experimentando aos poucos! Mas o que isso tem a ver com o sumiço da Matiza? Quanto mais eu postava sobre ela, mais trabalhos de ilustração de personagens e pedidos de retratos apareciam. Mas eu queria outra coisa, então comecei a postar tudo que fosse mais relacionado com o que realmente quero trabalhar. E é isso.

O que eu descobri recentemente? Que evito postar desenhos da Matiza para ela não virar trabalho. A Matiza é minha terapia, meu escape, sou eu desenhando sem briefing e alterações do cliente. Então decidi que não tem por que evitar. Ela vai voltar, eu vou me divertir fazendo, e vou esclarecer sempre que for necessário, que ela é meu hobby. Desenhar pessoas é um hobby. E além disso, uma causa social! A Matiza é para mim e para vocês. Resumindo, me chame para trabalhos quando o assunto for:

Espero ter conseguido me explicar e não ter causado uma impressão negativa. Mesmo eu afirmando que não irei mais desenhar pessoas por trabalho, podem rolar exceções, com certeza. Mas era isso que eu queria dizer pra vocês 🙂

Bom final de domingo!

Té té

Não penteie!

louuco

Para quem acompanha meu facebook deve ter percebido que costumo postar semanalmente tirinhas relacionadas a cabelo cacheado. Admito que foi uma grande surpresa o tamanho da repercussão que essas ilustrações tiveram, fiquei realmente emocionada com tanta gente se identificando com meus dilemas cabelísticos. Percebi então que não só eu poderia fazer piadas sobre o assunto, como também falar de temas mais sérios e que conscientizassem as pessoas sobre algo tão natural mas ao mesmo tempo tão misterioso que é o cabelo cacheado.

“Ah, mas é só um cabelo.” Não, não é só um cabelo. Em um mundo que ainda está engatinhando em aceitar as diferenças, nascer com o cabelo enrolado não traz facilidades na infância nem na vida adulta. Não funciona como o cabelo liso, que você acorda, penteia e ele já fica razoavelmente arrumado para sair na rua (aqui estamos falando dos padrões estéticos da nossa sociedade). Então imagina um cabelo que você acorda e ele não é liso, não tem forma e nem sequer tem cachos, porque foram amassados durante o sono. É difícil de lidar, principalmente quando nem seus pais sabem o que fazer. E assim começa uma típica história de uma pessoa cacheada.

Infância, você nasceu com aquele cabelo diferente, sua mãe não sabe o que fazer. É então que são feitas aquelas péssimas escolhas: prender o cabelo, que traz dor de cabeça e quebra os fios;  petear o cabelo no seco, que é uma tortura horrível que só faz a criança sofrer e ganhar um cabelo pseudo-liso com um volume absurdo; e a pior decisão de todas: alisar quimicamente.

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Depois dessa primeira infância em que sofreu na mão da sua mãe/pai/responsável desinformado, chega a pré-adolescência e você continua no mesmo dilema de não saber como lidar com seus cachos. Usa os cremes errados, vai em cabeleireiras que não sabem o que estão fazendo, tenta alisar, prende o cabelo o tempo todo, nada funciona. E como vai funcionar? Se não existe ninguém para ensinar, apoiar e te fazer aceitar o teu cabelo como ele realmente é.

Chegando na adolescência você decide alisar. Não aguenta mais invejar as amigas de cabelo liso que só acordam, penteiam o cabelo e já estão com ele pronto. Não aguenta mais ser diferente de tudo que vê na televisão, revistas e qualquer outra mídia visual. Mas o alisamento não dá a solução esperada. Continua dando trabalho e não fica natural. Eu pessoalmente nunca alisei, mas aos meus 15 anos fiz relaxamento porque não sabia mais o que fazer com meu cabelo.

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E então você chega na vida adulta, e é normalmente nessa fase em que surge a coragem de tentar de novo. Nem todos passam por isso, mas eu por sorte fui uma dessas pessoas que resolveram tentar, mesmo demorando tantos anos para chegar onde eu queria. Achei os produtos certos, encontrei cabeleireiras que me entendiam, aprendi tutoriais na internet, e hoje gosto do meu cabelo mais do que de qualquer outra pessoa, e não trocaria por nada. Continua dando trabalho, mas vale a pena, totalmente. 🙂

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Onde eu quero chegar com tudo isso?

Parem de achar que é um assunto tolo. É assunto sério. E resolvi que no que eu puder ajudar com as minhas ilustrações que as pessoas aprendam mais e se aceitem como elas são, minha missão estará cumprida!

Então decidi começar do começo. Da infância. Educando os pais e responsáveis por crianças de cabelo cacheado. Há algumas semanas postei esta ilustração como aviso:

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Vi que as pessoas compartilharam bastante em seus perfis pessoais, mas eu queria que chegasse mais longe. Foi então que resolvi recriar esse desenho apenas com caneta preta numa folha branca e escanear em alta resolução para quem quiser imprimir e colar por aí. Colem nas ruas, nas escolas, ajudem a melhorar a infância de várias crianças 🙂 É um aviso que não dá nenhuma “solução”, mas pelo menos faz pensar. Com o tempo irei postando dicas ilustradas, que vocês poderão conferir na minha página.

Clique na imagem abaixo e depois com o botão direito do mouse clique em Salvar imagem como…

E para quem quiser, também estou disponibilizando a versão colorida:

E é isso. Usem à vontade! Só não apaguem os créditos, tá? Vamos ser pessoas honestas.

Hoje foi um post diferente, meio desabafo, mas eu sentia que deveria ser feito 🙂

Uma boa semana pra vocês!

Té té.